BLOG DO PAULO TEDESCO
Literatura e literatura
Sábado, Maio 26, 2012
Reflexão breve de o Eterno Marido
O que me encanta nos personagens de Dostoiévski é sua humanidade, o humano de sua existência. Eles vacilam, hesitam, titubeiam, demonstram, ou são apresentados, frequentemente através da lente disforme da incerteza. O incerto e o contraditório são os condutores-mor da maioria de suas histórias (talvez todas). E essa vacilação que resvala - sempre com inusitada maestria, talvez pela ajuda de bons tradutores das edições que ando lendo - para a ambiguidade das histórias, o que torna a história cifrada e as constantes referências literárias de outros autores (na maioria russos), algo de tal naturalidade, que o que surge, e este meu espanto, é nada mais do que a mais cotidiana e humana das faces do ser: a vergonha, a indecisão, o medo diante do outro; sim, é o oposto do ser que nos deixa como somos, que nos faz pensar e que nos limita, substancialmente, entre acreditar-se ou não. E não esqueço, afinal, do vaticínio que parece percorrer a maioria esmagadora dos protagonistas, seu pensamento ou avaliação, por vezes constrangedora: o que "eles" estão a pensar de mim? "Eles", entenda-se o mundo ou simplesmente o olhar da plateia (os leitores) das peças que Dostoiévski tem em mente quando escreve.
Sábado, Abril 14, 2012
Um verão de Senhoria e Duplo
Aqui no Rio Grande, pelo separado das estações (o grande Vitor Ramil chega a falar em "Estética do Frio"), valorizar o verão ou tê-lo como marca na vida, como momento de transição, é uma constante na história de cada um que por essas bandas extremas vive. Pois, nesse verão gaúcho, terminado o romance - passei as festas e o primeiro mês do ano, incansável, revisando - retomei minha maratona Dostoiévski; sim, agora aprendi a escrever corretamente o nome do mestre. Li A Senhoria e O Duplo, e obrigo-me a confessar, como pode? Como pode alguém na segunda metade do século XIX escrever de tal forma? Um texto seminal, uma construção de personagens e situações que, não à toa, chegou em Freud, Machado, Verissimo, Camus, Piglia, Tezza e outros e outros e tantas feras. Da Senhoria, digo um delírio, delicioso, confuso, com direito a história subjacente e um fim curioso, de O Duplo, o delírio avança, se aprofunda; para mim foi um pesadelo, uma história cheia de espelhamentos mas ao mesmo tempo triste, deveras triste; compadeci-me, afinal, de Golyadkin, pobre diabo, e sei que em pleno século XXI existem outros iguais, muito iguais a ele. E o verão se findou. Nesse exato momento chove e temos uma temperatura amena e encaminho-me para mais uma etapa na quilométrica maratona: O Eterno Marido. Prometo numa próxima postagem ser mais leve, falarei das leituras recreio. Por enquanto, sigo a maratona.
Terça-feira, Janeiro 31, 2012
ROMANCE PRONTO
E cumpri a promessa! Romance pronto. Claro, é autobiografia, logo tem algo diferente do que seria um romance como se espera. Mas o resultado agradou e as primeiras leituras críticas estão animadoras. O título? Ah, esse guardarei para o momento adequado. Mas adianto que se passa na vida americana que tive, um imigrante na terra do tio sam antes do atentado das torres, um retrato de como eram as coisas para todos que desejavam viver nos EUA naquela época.
Quinta-feira, Novembro 17, 2011
As leituras seguem
Pois terminei Memórias do Subsolo para reler o Crocodilo, esse que é acompanhado de Notas de Inverno Sobre Impressões de Verão. E não é que a babuska se materializou? O narrador de Memórias do Subsolo está prefigurado escarradamente no Notas. Cito, na página 71 da edição da Editora 34, "Decididamente porque eu, um homem doente, que sofre do fígado...", pois esse mesmo homem que sofre do fígado é o narrador que se apresenta da mesma forma no início do grande Memórias do Subsolo. Temos, portanto, uma babuska, um livro dentro do outro e a forte sensação de continuidade entre todas as obras do Dostoieswki. O que dizer? A paixão segue inflando mais e mais leituras, quem sabe sua inteira coleção.
Quinta-feira, Setembro 08, 2011
Memórias do Subsolo e Melville
Reconheço que muitas vezes sou cativado por uma capa a ler um livro, ao menos em adquiri-lo. Mas são as resenhas que hoje me movem. Seguindo pela linha que começou em Crime e Castigo de Dostoiewsky (que literalmente revirou meu pensamento), e por obra de duas outras breves resenhas, li empolgado Gente Pobre e acabei por me me iniciar em Memórias do Subsolo, ambos do mesmo autor russo. Esse último título, que também surgiu de uma resenha "falada" do amigo e grande escritor Juarez Guedes Cruz numa palestra. Sim, leio o Memórias do Subsolo e não poderia ser diferente, é devastador. Para respirar, outra boa resenha, agora do jornal Rascunho, me fez abrir um recreio com os contos (para mim até então inéditos) de Herman Melville, autor de Moby Dick e que produziu esses O Violinista e outras histórias, que por sua vez também me arrebatou. Antecipo, então, o resultado de tanto "arrebatamento": voltei a trabalhar no último feriado de 7 de setembro em contos que iniciara, chegando até a retrabalhar um muito antigo que fora publicado em antologias. Ontem, quando deixei as alterações descansarem para pegar bolor, a sensação é de que o produto havia me agradado (depois virá a frustração e a decepção me obrigando a recompor tudo novamente, por certo).
Falando em resenhas, recomendo veementemente uma visita às boas e instrutoras resenhas no Gauchão de Literatura
Segunda-feira, Agosto 22, 2011
CONTO PREMIADO
Pois preparava um novo "recreio" sobre o belo livro da amiga Eni Algayer, de título Ciranda Negra, em meio às novas leituras de Dostoiewsky, agora com Gente Pobre, quando recebo a notícia de um conto selecionado em concurso do Histórias de Trabalho, da secretaria de cultura de Porto Alegre. Bárbaro! O conto, fruto de muitas e muitas revisões, é de nome Hindenburg (que passou algumas vezes em oficina do mestre Charles Kiefer mas nunca havia sido concluído) e terá lançamento numa coletânea em plena 57a Feira do Livro de Porto Alegre.
Honestamente, não aguardava qualquer premiação. Depois das renitentes leituras de Fiodor Dostoiewski, andava muito preocupado com que o que eu havia escrito até a pouco, tudo me parecia letra morta e incurável. Ainda que um concurso possa não significar muito, esse, no entanto, veio a calhar em uma curiosa hora. Sem dúvida.
O comentário do Ciranda Negra e a cruza com Gente Pobre sairá numa próxima postagem.
Beberemos um belo vinho em homenagem à conquista.
Honestamente, não aguardava qualquer premiação. Depois das renitentes leituras de Fiodor Dostoiewski, andava muito preocupado com que o que eu havia escrito até a pouco, tudo me parecia letra morta e incurável. Ainda que um concurso possa não significar muito, esse, no entanto, veio a calhar em uma curiosa hora. Sem dúvida.
O comentário do Ciranda Negra e a cruza com Gente Pobre sairá numa próxima postagem.
Beberemos um belo vinho em homenagem à conquista.
Quarta-feira, Agosto 10, 2011
SEGUINDO O FLUXO
O discurso para que todos leiamos os clássicos nota-se desgastado, alvo até de repulsa por parte de muitos leitores, o que traduz talvez como uma resposta popular a certo pedantismo da intelectualidade sobre sua insistência na leitura dos, por certas vezes, ininteligíveis livros considerados clássicos.
Digo que essa "repulsa" tem lá seu sentido, mas, honestamente, depois que iniciei leituras mais aprofundadas (leia-se com mais vagar e escrutínio) de Dostoiewski e seu Crime e Castigo, não me restou outra alternativa a não ser recomendar efusivamente sua leitura. Vou mais longe. Tomei em mãos seu primeiro livro, Gente Pobre, claro, não é Crime e Castigo, no entanto seu brilho e profundidade revelam o gigante Fiodor Dostoiewski da metade do século XIX. Muito bom e inovador ainda hoje, no outro milênio.
Penso, nesse exato instante, em ler todos os outros títulos, reler alguns que havia lido como Netochka e O Crocodilo, o conto Noites Brancas e singrar por Memórias do Subsolo, Irmãos Karamasov, e seguindo...
Talvez a vontade passe e outro bom livro de autor tão bom me arrebate, mas fico com minha juvenil empolgação, que ela provoque outros e outros leitores.
Digo que essa "repulsa" tem lá seu sentido, mas, honestamente, depois que iniciei leituras mais aprofundadas (leia-se com mais vagar e escrutínio) de Dostoiewski e seu Crime e Castigo, não me restou outra alternativa a não ser recomendar efusivamente sua leitura. Vou mais longe. Tomei em mãos seu primeiro livro, Gente Pobre, claro, não é Crime e Castigo, no entanto seu brilho e profundidade revelam o gigante Fiodor Dostoiewski da metade do século XIX. Muito bom e inovador ainda hoje, no outro milênio.
Penso, nesse exato instante, em ler todos os outros títulos, reler alguns que havia lido como Netochka e O Crocodilo, o conto Noites Brancas e singrar por Memórias do Subsolo, Irmãos Karamasov, e seguindo...
Talvez a vontade passe e outro bom livro de autor tão bom me arrebate, mas fico com minha juvenil empolgação, que ela provoque outros e outros leitores.
Quarta-feira, Julho 06, 2011
O RECREIO NA CIRANDA DE PEDRA
Seguindo o caminho do amigo e escritor Juarez Guedes Cruz, que entre a produção exaustiva dos capítulos da biografia do Latimer, escrevia contos denominados "Recreio", adotei também um "recreio" para minhas leituras.
Pois lia, como comentei, Crime e Castigo do Dostoiewsky, que, sem dúvida, é um monumento literário, e porque não, filosófico. O fim se aproximava, Raskonilkov cedendo, Dunechtka aos prantos, e eu, leitor, em frangalhos.
Foi um acaso (talvez estivesse inconscientemente procurando) que encontrei, na biblioteca aqui de casa, a curta novela Ciranda de Pedra, da Lygia Fagundes Teles, edição de 1979, e travei a leitura anterior. A Ciranda foi consumida em dois fins de semana e acabei por concordar com o Juarez, nada como um bom recreio. O livro realmente é gostoso de ler.
Ontem, por fim, retornei, renovado, a Crime e Castigo, e reafirmo, que monumento.
Pois lia, como comentei, Crime e Castigo do Dostoiewsky, que, sem dúvida, é um monumento literário, e porque não, filosófico. O fim se aproximava, Raskonilkov cedendo, Dunechtka aos prantos, e eu, leitor, em frangalhos.
Foi um acaso (talvez estivesse inconscientemente procurando) que encontrei, na biblioteca aqui de casa, a curta novela Ciranda de Pedra, da Lygia Fagundes Teles, edição de 1979, e travei a leitura anterior. A Ciranda foi consumida em dois fins de semana e acabei por concordar com o Juarez, nada como um bom recreio. O livro realmente é gostoso de ler.
Ontem, por fim, retornei, renovado, a Crime e Castigo, e reafirmo, que monumento.
Sexta-feira, Junho 17, 2011
O enigma e Borges
Pois foi o aniversário da morte de Jorge Luis Borges. Influenciado por leituras em torno da data retomei a leitura do conto O Sul do livro Ficções. Esse, entre outros tantos excelentes contos, representava, ou talvez ainda represente o enigma, o meu enigma. Nele, a se ver pelo título, sentía-me ligado estreitamente e por motivos diferentes. Óbvio que muito desses motivos estavam ligados à eterna questão de identidade e às aventuras de que participei. Aquela coisa toda de norte e sul, num constante movimento de pêndulo, que percorri em diferente momentos da vida e que se misturaram com a literatura nesse conto do Borges e na minha própria literatura. Mas o enigma do conto guardava lugar também na curiosa articulação do texto, onde Borges inferia um subtexto nem sempre fácil de distinguir enquanto eu perdía-me a buscar a inteireza do subtexto. Por fim me perguntava como um autor conseguia em tão poucas páginas ser tão preciso e tão hábil com a língua. Bom, reli, reli de trás para frente, como gosto de fazer, encadeando parágrafos, escandindo alguns, reposicionando outros, e o enigma revelou-se mais brilhante e provocativo. Fechei o livro indignado, terei de voltar a lê-lo!
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Terça-feira, Maio 10, 2011
Sentindo-se melhor
É interessante esse processo da escrita, de manter-se escrevendo. Segundo o que ouvi de uma colega de oficina literária, a título de elogio e de certa distinção, conquistei o privilégio de trabalhar com livros, mas trabalhar com livros e para os livros não necessariamente significa escrever livros. Pois, o interessante de que falo do processo é o que ocorre hoje. Meses a fio envolvido com minhas Oficinas presenciais e a distância em produção de livros, e uma vontade danada de não sei o quê. Ora, bastou um sábado e um domingo, embalado por Dostoiewsky, que voltei a contos que andavam estagnados, e voltei com gana, convicto e olhando a contraluz do que havia escrito. Parece coisa de doido, de meu romance, que anunciei a produção, nada, mas dos contos, muito. É, mais ou menos, o romance merece um espaço maior de tempo, um isolamento profundo e duradouro. Meus contos, bom, esses merecem outro tipo de concentração, outra forma de aprofundamento. E foi isso o que ocorreu, aprofundei gostosamente na revisão e aprimoramento de certos contos que cheiravam a mofo. Garanto, sinto-me melhor.
Terça-feira, Abril 05, 2011
NA PUC, HOJE NO SARAU DOS NOVOS
Hoje à noite, 18h00, na PUC, sala 305, prédio 8, estarei falando e lendo, no Sarau dos Novos, o Contos da Mais-valia. Vale a pena, compareça.
Para maiores dúvidas, ligue 51 3391 8636.
Para maiores dúvidas, ligue 51 3391 8636.
Segunda-feira, Abril 04, 2011
EU E RASKÓNILKOV
Ao lermos um livro, em especial romances, necessariamente criamos uma identidade com o protagonista. Entramos no seu pensamento e acompanhamos suas ações com a intimidade e exclusividade conferidas unicamente ao leitor. Pois sendo o leitor parte da trama, tal privilégio é que me conduziu a esse impasse: porque tanto me identifico com Raskónilkov? Não creio que Crime e Castigo, na sua totalidade, se aplique a mim, não matei tampouco tenho planos, mas os devaneios, as hesitações, as inconstâncias, por vezes doentias (ou na maioria das vezes?), aproximaram-me inexoravelmente do assassino e ex-estudante Raskónilkov. E, para agravar meu quadro, tenho grande amigo que se aproxima do fiel Razumíkhin. Ai, preciso voltar a escrever com urgência, antes que a coisa piore.
Segunda-feira, Fevereiro 21, 2011
DOSTOIEWSKY E SITE NOVO
Lendo Crime e Castigo do Dostoiewksky. Clássico é clássico e vice-versa, ainda mais numa bem embalada (e barata) coleção da Abril Cultural. Recomendo comprar toda a coleção. Mas essa postagem é para anunciar que em breve teremos um site somente do autor aqui, com alguns anos de atraso o sítio eletrônico reunindo as participações e publicações próprias, além de uma seleção dos concursos ganhos e da trajetória das crônicas jornalísticas, comparecerá para o leitor que acompanha esse trabalho, que já atravessou continentes e teimosamente persiste em acertar o pé da literatura.
Terça-feira, Janeiro 11, 2011
Se já não durmo com meus vivos
Como havia anunciado neste mesmo blogue, estou às voltas com meu romance sobre a aventura de brasileiros na América, tema que me é velho e urgia amadurecer de forma mais elaborada. Pois, para minha surpresa, enquanto literalmente faço das tripas coração para que o texto ande, encontro a notícia de que estão investigando o Nobel Vargas Llosa por plágio, e pior, por não ter escrito seus próprios e premiados livros, ele, segundo a matéria, vivia de "negros", gente anônima que escrevia para que assinasse. http://spanish.news.fmota.com/la-academia-investiga-por-fraude-al-nobel-de-literatura-2010.html
E se vier a perder o Nobel que lhe foi conferido? Parece algo impossível, embora imagine que tenha no passado ocorrido, isso, hoje, seria algo fantástico, vide o peso e o significado da "obra" de Llosa no cenário literário latino-americano e mundial.
O que resta, é me retirar para voltar a escrever, deixo os fantasmas para os outros, que não durmam eles com seus negros e "gost writers", por que eu, se já não durmo com meus vivos, se tivesse mortos como o Llosa, sei não o que faria...
E se vier a perder o Nobel que lhe foi conferido? Parece algo impossível, embora imagine que tenha no passado ocorrido, isso, hoje, seria algo fantástico, vide o peso e o significado da "obra" de Llosa no cenário literário latino-americano e mundial.
O que resta, é me retirar para voltar a escrever, deixo os fantasmas para os outros, que não durmam eles com seus negros e "gost writers", por que eu, se já não durmo com meus vivos, se tivesse mortos como o Llosa, sei não o que faria...
Terça-feira, Dezembro 14, 2010
UMA BOA RESENHA PARA O CONTOS DA MAIS-VALIA
Uma nova e bela resenha do Contos da Mais-valia & outras taxas no site rizzenhas. Vale a leitura!
http://rizzenhas.com/2010/12/13/resenha-contos-da-mais-valia-outras-taxas-de-paulo-tedesco/
Contos da Mais-Valia & Outras Taxas, de Paulo Tedesco
Dezembro 13, 2010
Não existe tarefa mais comum que o ser humano faz do que trabalhar. É algo necessário pra conseguir dinheiro para conseguir “sobreviver”. Esse mundo do trabalho é o tema do livro Contos da Mais-Valia & Outras Taxas, de Paulo Tedesco, publicado pela editora Dublinense. O leitor encontra nele personagens com que cruza todos os dias pela rua, ou então retratos de si mesmos. Dos cargos de altos escalões aos pequenos promotores de venda, os contos de Tedesco englobam as mais comuns intrigas profissionais e frustrações pelas quais passam todos os que enfrentam a vida no mercado de trabalho.
O autor divide o livro em três partes que abordam os tipos de empregados: comissionados, pró-laboreados e assalariados. Cada parte é formada por determinado número de textos que trazem personagens de diferentes ramos profissionais e seus dramas que ou envolvem problemas no trabalho ou pessoais, mas que influem em suas tarefas. O primeiro conto já abre o livro com as disputas pelo sucesso em uma empresa. Enquanto se encaminham para o trabalho, dois corretores de imóveis reclamam de um colega que fecha seus negócios, roubando suas comissões. Tedesco aponta a hipocrisia dos funcionários, mostrando que aquele que reclama da falta de ética do colega não deixa de fazer diferente, fechando o texto de forma pitoresca, mas que acentua a prática de “passar a perna” para se dar bem nos negócio.
Um dos contos mais divertidos é O Aldeão & os Bárbaros, em que o presidente de uma pequena empresa arma todo um cenário de desconforto para as reuniões com representantes de banco que vêm até ele fazerem propostas de crédito. Tudo é armado para que os representantes se compadeçam da aparente falta de dinheiro da empresa, saindo ainda como culpados pelas dificuldades pelas quais ela passa. Tedesco escreve com simplicidade, colocando nos diálogos palavras escritas como se falam, sem muitos “americanismos”.
Não são apenas os comuns funcionários que fazem parte de Contos da Mais-Valia & Outras Taxas. Porque para muitos, o sustento está no crime. Alguns contos envolvem aqueles contratados para matar, tendo que dar cabo da vida de algum outro funcionário qualquer, ou então aqueles que aproveitam as informações que recebem do trabalho para roubá-lo. Tudo em nome do negócio. São temas assim que envolvem contos como O Colono Mediador, No Estacionamento e Passagem para Caimã.
Paulo Tedesco retrata bem esse mundo “selvagem” do mercado de trabalho em Contos da Mais-Valia & Outras Taxas, com personagens comuns e problemas que todos enfrentaram ou que algum dia ainda terão que lidar nos negócios. Éticos ou não, são pessoas e situações corriqueiras, mas retratadas de forma atraente e reflexiva. Afinal, sabemos que a picaretagem nesse mundo existe, mas como a enxergamos realmente? São só mais uma forma de se manter na vida profissional ou motivo de condenação? A resposta para essa questão pode dizer muito sobre as personagens e também sobre o próprio leitor.
http://rizzenhas.com/2010/12/13/resenha-contos-da-mais-valia-outras-taxas-de-paulo-tedesco/
Contos da Mais-Valia & Outras Taxas, de Paulo Tedesco
Dezembro 13, 2010
Não existe tarefa mais comum que o ser humano faz do que trabalhar. É algo necessário pra conseguir dinheiro para conseguir “sobreviver”. Esse mundo do trabalho é o tema do livro Contos da Mais-Valia & Outras Taxas, de Paulo Tedesco, publicado pela editora Dublinense. O leitor encontra nele personagens com que cruza todos os dias pela rua, ou então retratos de si mesmos. Dos cargos de altos escalões aos pequenos promotores de venda, os contos de Tedesco englobam as mais comuns intrigas profissionais e frustrações pelas quais passam todos os que enfrentam a vida no mercado de trabalho.
O autor divide o livro em três partes que abordam os tipos de empregados: comissionados, pró-laboreados e assalariados. Cada parte é formada por determinado número de textos que trazem personagens de diferentes ramos profissionais e seus dramas que ou envolvem problemas no trabalho ou pessoais, mas que influem em suas tarefas. O primeiro conto já abre o livro com as disputas pelo sucesso em uma empresa. Enquanto se encaminham para o trabalho, dois corretores de imóveis reclamam de um colega que fecha seus negócios, roubando suas comissões. Tedesco aponta a hipocrisia dos funcionários, mostrando que aquele que reclama da falta de ética do colega não deixa de fazer diferente, fechando o texto de forma pitoresca, mas que acentua a prática de “passar a perna” para se dar bem nos negócio.
Um dos contos mais divertidos é O Aldeão & os Bárbaros, em que o presidente de uma pequena empresa arma todo um cenário de desconforto para as reuniões com representantes de banco que vêm até ele fazerem propostas de crédito. Tudo é armado para que os representantes se compadeçam da aparente falta de dinheiro da empresa, saindo ainda como culpados pelas dificuldades pelas quais ela passa. Tedesco escreve com simplicidade, colocando nos diálogos palavras escritas como se falam, sem muitos “americanismos”.
Não são apenas os comuns funcionários que fazem parte de Contos da Mais-Valia & Outras Taxas. Porque para muitos, o sustento está no crime. Alguns contos envolvem aqueles contratados para matar, tendo que dar cabo da vida de algum outro funcionário qualquer, ou então aqueles que aproveitam as informações que recebem do trabalho para roubá-lo. Tudo em nome do negócio. São temas assim que envolvem contos como O Colono Mediador, No Estacionamento e Passagem para Caimã.
Paulo Tedesco retrata bem esse mundo “selvagem” do mercado de trabalho em Contos da Mais-Valia & Outras Taxas, com personagens comuns e problemas que todos enfrentaram ou que algum dia ainda terão que lidar nos negócios. Éticos ou não, são pessoas e situações corriqueiras, mas retratadas de forma atraente e reflexiva. Afinal, sabemos que a picaretagem nesse mundo existe, mas como a enxergamos realmente? São só mais uma forma de se manter na vida profissional ou motivo de condenação? A resposta para essa questão pode dizer muito sobre as personagens e também sobre o próprio leitor.
Quinta-feira, Novembro 18, 2010
LANÇAMENTO DO CONTOS DA MAIS-VALIA EM NOVO HAMBURGO
Após mais um belo evento no Morro da Cruz na Biblioteca Ilê-ará e algumas boas atividades na Feira do Livro de Porto Alegre, agora volto ao interior. Dia 27 de novembro tem lançamento na Feira do Livro de Novo Hamburgo do Contos da Mais-valia & outras taxas. Também teremos, ainda esse mês, um debate sobre o livro com o pessoal da Escola Murialdo, em complemento à primeira atividade no Morro da Cruz. Enfim, nada melhor do que conversar com o leitor, surpresas sempre acontecem.
Quarta-feira, Novembro 10, 2010
A FEIRA DO LIVRO E A PADARIA ESPIRITUAL
Pois é, aconteceu na Padaria Espiritual da 56a FEira do Livro de Porto Alegre e saiu no Jornal do Comércio, que transcrevo aqui. Aliás, esse fim de semana, estarei no Morro da Cruz falando do livro também. Muito bom tudo isso.
Padaria Espiritual promove debate sobre contos na Feira
http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=45923
Gabriela Sitta, especial para o JC
RÔMULO VALENTE/CRL/DIVULGAÇÃO/JC
Os convidados conversaram sobre a produção e a leitura dos contos.
Além dos descontos usuais e da interação entre os leitores, uma das grandes possibilidades que a Feira do Livro de Porto Alegre oferece aos adeptos da leitura é o encontro com os autores. Exemplo disso são os debates promovidos pelo projeto Padaria Espiritual, que acontecem, desde o dia 30, em todos os dias da Feira.
Inspirado no projeto homônimo criado em Fortaleza no final do século XIX, o Padaria Espiritual reúne leitores de todas as idades para discutir assuntos relacionados à Literatura. O encontro se parece mais com uma conversa informal entre amigos e o debate é aberto ao público. Ao ser idealizado por Antonio Salles, em 1892, o grupo de debates reunia literatos e fabricava um “pão” semanal, ou seja, um pequeno jornal que circulava em poucas edições. Na Feira do Livro o Padaria acontece desde o ano passado e é uma reunião de escritores e especialistas para discutir temas vinculados aos livros.
Nesta segunda-feira (8), os convidados foram jovens escritores gaúchos, a maioria deles contando com um ou dois livros publicados, que se reuniram para falar sobre o gênero conto. Paulo Tedesco, Rodrigo Rosp, Antônio Xerxenesky e Reginaldo Pujol Filho, além da mediadora Luciana Tomé, conversaram sobre a produção e a leitura dos contos. A partir daí o papo foi ao modo como se deve pensar um livro de contos e chegou às dificuldades de publicação do gênero no Brasil.
Para Xerxensky, muitos leitores encaram o conto como algo isolado e, consequentemente, um livro de contos como algo divisível. Ele acredita, e os colegas concordam, que um livro, seja ele de contos ou um romance, é sempre pensado pelo como algo unificado, que tem um contexto e aborda temas comuns.
A necessidade de ultrapassar os limites do leitor parece ser o mais válido para os autores, seja esse desafio proposto em prosa ou verso. Ainda assim eles ressaltam que, por proporcionar a releitura com mais frequência do que o romance, esse gênero pode levar o leitor a pensar e questionar tudo o que leu com mais perícia. Afinal, Paulo Tedesco destaca, “o conto desafia as possibilidades de leitura”. Para completar, Xerxenesky concluiu: “o conto tem o poder de enganar”.
O Padaria Espiritual acontece na Tenda da Pasárgada, entre o Memorial e o Santander Cultural, na Praça da Alfândega, todos os dias, às 18h. A entrada é franca.
09/11/2010 - 13h12min
Padaria Espiritual promove debate sobre contos na Feira
http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=45923
Gabriela Sitta, especial para o JC
RÔMULO VALENTE/CRL/DIVULGAÇÃO/JC
Os convidados conversaram sobre a produção e a leitura dos contos.
Além dos descontos usuais e da interação entre os leitores, uma das grandes possibilidades que a Feira do Livro de Porto Alegre oferece aos adeptos da leitura é o encontro com os autores. Exemplo disso são os debates promovidos pelo projeto Padaria Espiritual, que acontecem, desde o dia 30, em todos os dias da Feira.
Inspirado no projeto homônimo criado em Fortaleza no final do século XIX, o Padaria Espiritual reúne leitores de todas as idades para discutir assuntos relacionados à Literatura. O encontro se parece mais com uma conversa informal entre amigos e o debate é aberto ao público. Ao ser idealizado por Antonio Salles, em 1892, o grupo de debates reunia literatos e fabricava um “pão” semanal, ou seja, um pequeno jornal que circulava em poucas edições. Na Feira do Livro o Padaria acontece desde o ano passado e é uma reunião de escritores e especialistas para discutir temas vinculados aos livros.
Nesta segunda-feira (8), os convidados foram jovens escritores gaúchos, a maioria deles contando com um ou dois livros publicados, que se reuniram para falar sobre o gênero conto. Paulo Tedesco, Rodrigo Rosp, Antônio Xerxenesky e Reginaldo Pujol Filho, além da mediadora Luciana Tomé, conversaram sobre a produção e a leitura dos contos. A partir daí o papo foi ao modo como se deve pensar um livro de contos e chegou às dificuldades de publicação do gênero no Brasil.
Para Xerxensky, muitos leitores encaram o conto como algo isolado e, consequentemente, um livro de contos como algo divisível. Ele acredita, e os colegas concordam, que um livro, seja ele de contos ou um romance, é sempre pensado pelo como algo unificado, que tem um contexto e aborda temas comuns.
A necessidade de ultrapassar os limites do leitor parece ser o mais válido para os autores, seja esse desafio proposto em prosa ou verso. Ainda assim eles ressaltam que, por proporcionar a releitura com mais frequência do que o romance, esse gênero pode levar o leitor a pensar e questionar tudo o que leu com mais perícia. Afinal, Paulo Tedesco destaca, “o conto desafia as possibilidades de leitura”. Para completar, Xerxenesky concluiu: “o conto tem o poder de enganar”.
O Padaria Espiritual acontece na Tenda da Pasárgada, entre o Memorial e o Santander Cultural, na Praça da Alfândega, todos os dias, às 18h. A entrada é franca.
09/11/2010 - 13h12min
Quinta-feira, Novembro 04, 2010
PRA REFORÇAR O LANÇAMENTO DO CONTOS DA MAIS-VALIA
Entrevista nova no ar! É no www.opperaa.com que dou uns pitacos sobre meus contos. A edição da matéria infelizmente atrapalhou um pouco o que havia escrito, mas vale a pena.
Repetindo, é amanhã, às 20h30, na 56a Feira do Livro de Porto Alegre o lançamento mundial do Contos da Mais-valia & outras taxas da Dublinense.
Repetindo, é amanhã, às 20h30, na 56a Feira do Livro de Porto Alegre o lançamento mundial do Contos da Mais-valia & outras taxas da Dublinense.
Quinta-feira, Outubro 28, 2010
JUIZ LITERÁRIO E LANÇAMENTO
Além do lançamento do Contos na semana que vem na Feira do Livro de POA, agora virei Juiz Literário. Visite, vale a pena. E pode atirar de tudo no gramado que o estádio não será interditado nem o juiz acusará na súmula.
http://gauchaodeliteratura.wordpress.com/2010/10/28/jogo-41-%E2%80%93-play-x-trocando-em-miudos/
http://gauchaodeliteratura.wordpress.com/2010/10/28/jogo-41-%E2%80%93-play-x-trocando-em-miudos/
Sexta-feira, Outubro 22, 2010
O Contos da Mais-valia agora na 56a Feira do Livro de Porto Alegre
Está programado para o dia 05 de novembro às 20h30 os autógrafos do Contos da Mais-valia na próxima Feira do Livro, a maior a céu aberto do mundo! Vai ter também debate sobre o conto, que está agendado para o dia 08 de novembro, segunda-feira, às 16h na Tenda de Pasárgada - Praça da Alfândega. Além de mim, estarão juntos os autores e editores Rodrigo Rosp, Antônio Xerxenesky e Reginaldo Pujol Filho para falar de contos sob o tema Padaria Espiritual: 1, 2, 3... Quem está contando?
Vale a pena agendar.
Vale a pena agendar.
Quinta-feira, Setembro 16, 2010
NA FEIRA DO LIVRO DE CAXIAS DO SUL
É O CONTOS DA MAIS-VALIA NA FEIRA DO LIVRO DE CAXIAS DO SUL
16h – Sessão de Autógrafos da obra “Contos da Mais-Valia e outras taxas” de Paulo Tedesco. Local: Café Cultural
Dia 02 de outubro – Sábado
Quem não teve tempo no primeiro lançamento em Caxias, vai aqui nova chance. Chegue lá para conversarmos.
Veja um pouquinho do livro em http://www.dublinense.com.br/livros/contos-da-mais-valia-outras-taxas/
16h – Sessão de Autógrafos da obra “Contos da Mais-Valia e outras taxas” de Paulo Tedesco. Local: Café Cultural
Dia 02 de outubro – Sábado
Quem não teve tempo no primeiro lançamento em Caxias, vai aqui nova chance. Chegue lá para conversarmos.
Veja um pouquinho do livro em http://www.dublinense.com.br/livros/contos-da-mais-valia-outras-taxas/
Quarta-feira, Agosto 25, 2010
E VAMOS NÓS...
Após a entrevista com o Professor Assis Brasil na PUC TV nesse estranho agosto de 2010, não resta outra coisa, caminhemos pois para o romance. Desafio que ainda configura-se em toda sua monstruosidade um enigma. Mas, se de enigmas são feitas as grandes obras, por que não tentar? E vamos nós...
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Sábado, Agosto 07, 2010
LIVRO NOVO A CAMINHO
Tal como a torrente nas cabeceiras dos rios que afluem sobre um represário, obrigando que se abram as comportas para dar vazão ao volume de água que se acumula, retirei-me para dar curso a algo que andava abarrotando minha própria represa de ideias. Estou, portanto, nesses dias dando prosseguimento ao meu novo livro, o qual espero que assim se converta, sobre esse assunto que tumultua a cabeça de muitos e a mim particularmente tem proporcionado um constante refletir. Falo da revolução no mundo do livro e, mais especificamente, na revolução na circulação de conteúdo escrito. Com direito a gráfico e análises quase jurídicas, quase filosóficas e quase científicas, coisas mesmo de ensaio, atirei-me na vazão do pensamento para que o meu próprio rio da produção escrita recebesse o pouco do muito que venho guardando ao longo dos últimos tempos e chuvas de novas ideias, e assim pudesse chegar, por fim, às praias do leitor e dos alunos de minhas Oficinas.
Quinta-feira, Julho 29, 2010
SOU TRANSITIVO
Desafios? É, vivemos um por dia. E isso cansa, exauri. Tira as forças para fazer o que de melhor sabemos e o de que mais gostamos. Crise? Pode ser. Mas se toda a crise pressupõe transição, eu transito todo o dia. E isso talvez seja o que me leva a escrever, e falo escrever ficção, contar histórias. Só escrevendo, contando mentirinhas, é que transito. Sou transitivo. Parece fácil, não?
Quarta-feira, Julho 07, 2010
A CRUELDADE DOS SERES VIVOS
Publico entrevista na íntegra concedida ao Blog do Alex Cruz http://alesoarescruz.blogspot.com/ , jornalista amigo e morador na Espanha.
P - Parabéns, Paulo Tedesco, realmente é um livro fantástico Contos da Mais-Valia & Outras Taxas. Lembra um pouco o escritor português José Saramago, nao digo o estilo e sim uma mensagem de inconformismo de tudo que está aí.
R - Agradeço pela aproximação com o Saramago, ele sim é e sempre foi um exemplo de questionamento do que aí está. Eu começo minha carreira literária buscando esse outro olhar, um olhar de claro desconforto, num esforço último de apontar as incongruências que tão vivamente nos afetam.
P - Há defensores que querem abolir a corrida de touros. Depois de ler o teu livro onde exibe as mazelas humanas no campo laboral, tao brutal, tao sanguinário, cabe a pergunta até onde vai a crueldade humana?
R - Crueldade humana? A crueldade faz parte dos seres vivos, não há como separar. Mas o que deve ser entendido é que a crueldade numa sociedade civilizada deve ser entendida como inadmissível, essa crueldade do atraso, da barbárie, é que nos joga constantemente para trás. Para mim, estamos ainda nos estertores da idade média, os valores cruéis da idade média prevalecem a seu modo nos dias de hoje. Temos que superá-los fazendo revoluções e contando histórias, para que essas nos ajudem a entender com clareza esse período das sombras estranhas, passados 500 anos da chamada idade das trevas.
P - Saiu uma enquete que a percepçao de, nós, latinos, em relaçao a si mesmo e aos demais está melhor que últimos cinco anos. Se vê com otimismo. Mas, ainda existe o tal de poder mágico do trabalho fácil conjugado com dinheiro fácil como tenta passar o personagem Superlimps?
R - Olha, a magia no Superlimps, para mim, estava justamente no despertar silencioso do personagem para a magia escura que lhe impingiam, a qual ele soube se livrar. Agora, essa auto-percepção positiva, para mim vem do fim do padrão machista, anglo-saxão e branco de beleza e vida, isso sim pode ser apontado como um determinante. Há luzes nos tempos das estranhas trevas!!!
P - Falta aí quase uma semana para acabar a Copa do Mundo. No anos setenta nao existia intelectual que se atrevesse a confessar públicamente que gostara de futebol. Era uma espécie de ópio do povo. Atualmente, dentro do teu ponto de vista, mudou esta percepçao?
R - Futebol virou planetário e, como toda a atividade humana, sempre teve dois viéses. Um, de gerador de oportunidades e consequentemente riquezas (que podem ser materiais ou imateriais) e, outro, de socializador (tudo aquilo que não for socializador na raça humana tende a extinguir-se). O futebol foi e é utilizado como instrumento político, isso é natural, portanto, quando de seu mal uso, e assim o foi durante as ditaduras e repressões que a guerra-fria promoveu, precisava sim ser criticado, hoje, porém vivemos num cenário completamente diferente, e o esporte tem cumprido um grande papel nessa etapa da humanidade, o de socializador. Portanto, para mim, sim, o futebol merece atenção.
P - Paulo, tenho uma sensaçao que está revolucionando o mundo literário. Como surgiu a oficina do livro?
R - Isso é um assunto que me empolga. O mundo editorial está convulsionado e os principais atores de um mercado gigantesco estão claramente em crise. Chamo de derretimento do segmento literário-editorial. Mas não só por conta da tecnologia, seria demais colocar na conta do que já existe algo tão forte. O mercado está mudando também e por conta da entrada de novas línguas, nações, classes sociais no mundo do consumo da cultura, aí sim, se associarmos às mudanças tecnológicas, podemos dizer que estamos de fato vendo o mercado daquela meia-dúzia de donos da informação evaporar. A Oficina do Livro vem justamente para falar sobre isso, sobre essa mudança nos padrões de contato com o conteúdo espraiado pelo planeta. O escritor está hoje para a cultura mundial como o cientista para as conquistas tecnológicas e sociais, são geradores de conteúdo rico e poderoso.
P - Cabe uma última pergunta: com a entrada do livro digital se perderá a cadeia de livros que sao editores, autores, distribuidores, livrarias, gráfica assim que se tornar um consumo de massa?
R - Um pouco dessa resposta está na questão anterior, como falei, o assunto me empolga. Mas, nada se perde, tudo se transforma. Teremos novos atores e novos consumidores, novos leitores e quiçás mais exigentes, mais resilientes à qualquer texto que cair nas suas mãos. Creio que estamos começando a adentrar num momento em que, depois da avalanche da produção escrita e audio-visual, a sociedade buscará a qualidade, cabe ao escritor e aos demais posicionar-se diante disso.
P - Parabéns, Paulo Tedesco, realmente é um livro fantástico Contos da Mais-Valia & Outras Taxas. Lembra um pouco o escritor português José Saramago, nao digo o estilo e sim uma mensagem de inconformismo de tudo que está aí.
R - Agradeço pela aproximação com o Saramago, ele sim é e sempre foi um exemplo de questionamento do que aí está. Eu começo minha carreira literária buscando esse outro olhar, um olhar de claro desconforto, num esforço último de apontar as incongruências que tão vivamente nos afetam.
P - Há defensores que querem abolir a corrida de touros. Depois de ler o teu livro onde exibe as mazelas humanas no campo laboral, tao brutal, tao sanguinário, cabe a pergunta até onde vai a crueldade humana?
R - Crueldade humana? A crueldade faz parte dos seres vivos, não há como separar. Mas o que deve ser entendido é que a crueldade numa sociedade civilizada deve ser entendida como inadmissível, essa crueldade do atraso, da barbárie, é que nos joga constantemente para trás. Para mim, estamos ainda nos estertores da idade média, os valores cruéis da idade média prevalecem a seu modo nos dias de hoje. Temos que superá-los fazendo revoluções e contando histórias, para que essas nos ajudem a entender com clareza esse período das sombras estranhas, passados 500 anos da chamada idade das trevas.
P - Saiu uma enquete que a percepçao de, nós, latinos, em relaçao a si mesmo e aos demais está melhor que últimos cinco anos. Se vê com otimismo. Mas, ainda existe o tal de poder mágico do trabalho fácil conjugado com dinheiro fácil como tenta passar o personagem Superlimps?
R - Olha, a magia no Superlimps, para mim, estava justamente no despertar silencioso do personagem para a magia escura que lhe impingiam, a qual ele soube se livrar. Agora, essa auto-percepção positiva, para mim vem do fim do padrão machista, anglo-saxão e branco de beleza e vida, isso sim pode ser apontado como um determinante. Há luzes nos tempos das estranhas trevas!!!
P - Falta aí quase uma semana para acabar a Copa do Mundo. No anos setenta nao existia intelectual que se atrevesse a confessar públicamente que gostara de futebol. Era uma espécie de ópio do povo. Atualmente, dentro do teu ponto de vista, mudou esta percepçao?
R - Futebol virou planetário e, como toda a atividade humana, sempre teve dois viéses. Um, de gerador de oportunidades e consequentemente riquezas (que podem ser materiais ou imateriais) e, outro, de socializador (tudo aquilo que não for socializador na raça humana tende a extinguir-se). O futebol foi e é utilizado como instrumento político, isso é natural, portanto, quando de seu mal uso, e assim o foi durante as ditaduras e repressões que a guerra-fria promoveu, precisava sim ser criticado, hoje, porém vivemos num cenário completamente diferente, e o esporte tem cumprido um grande papel nessa etapa da humanidade, o de socializador. Portanto, para mim, sim, o futebol merece atenção.
P - Paulo, tenho uma sensaçao que está revolucionando o mundo literário. Como surgiu a oficina do livro?
R - Isso é um assunto que me empolga. O mundo editorial está convulsionado e os principais atores de um mercado gigantesco estão claramente em crise. Chamo de derretimento do segmento literário-editorial. Mas não só por conta da tecnologia, seria demais colocar na conta do que já existe algo tão forte. O mercado está mudando também e por conta da entrada de novas línguas, nações, classes sociais no mundo do consumo da cultura, aí sim, se associarmos às mudanças tecnológicas, podemos dizer que estamos de fato vendo o mercado daquela meia-dúzia de donos da informação evaporar. A Oficina do Livro vem justamente para falar sobre isso, sobre essa mudança nos padrões de contato com o conteúdo espraiado pelo planeta. O escritor está hoje para a cultura mundial como o cientista para as conquistas tecnológicas e sociais, são geradores de conteúdo rico e poderoso.
P - Cabe uma última pergunta: com a entrada do livro digital se perderá a cadeia de livros que sao editores, autores, distribuidores, livrarias, gráfica assim que se tornar um consumo de massa?
R - Um pouco dessa resposta está na questão anterior, como falei, o assunto me empolga. Mas, nada se perde, tudo se transforma. Teremos novos atores e novos consumidores, novos leitores e quiçás mais exigentes, mais resilientes à qualquer texto que cair nas suas mãos. Creio que estamos começando a adentrar num momento em que, depois da avalanche da produção escrita e audio-visual, a sociedade buscará a qualidade, cabe ao escritor e aos demais posicionar-se diante disso.
Sábado, Julho 03, 2010
O Contos da Mais-valia no Blog do Sorrentino
Publico na íntegra a bela crítica do Walter Sorrentino, que está em http://www.waltersorrentino.com.br/?p=2607
Contos da Mais-valia & outras taxas
Publicado por waltersorrentino em 01/07/2010
Paulo Tedesco é de Caxias do Sul, para onde vou hoje, encontrar o pessoal do partido lá e tentar entender como pode ser tão vitoriosa a caminhada do PCdoB naquela cidade progressista do Rio Grande do Sul.
Paulo é consultor gráfico editorial, dos bons. Publicou em 2004 Quem tem medo do Tio Sam? Já participou de diversas antologias de contos.
Seu livro recente, que me foi presenteado, é Contos da mais-valia & outras taxas. É deliciosamente maligno – ou seja, crítico. Contos curtos, concisos, bem escritos, e absolutamente originais. Os capítulos são intitulados, jocosamente, “comissionados”, “pró-laboreados” e “assalariados”. Enfim, trata de como as gentes ganham a vida e a vão tocando em meio a esse oceano de alienação.
Tudo muito bem-humorado e penetrante, curioso e ácido. As personagens são do mundo do trabalho. Gente simples, retratados no cotidiano, anônimos invisíveis que agora são tornados personagens de seu próprio drama. Gostei particularmente do conto “Impedimento”, mas todos eles são bons.
Fosse vinho, seria dos bons: taninos fortes e acidez arredondados pela maturidade… Escreve bem, o gajo, creiam. E leiam-no, prestigiem-no. Parabéns, Paulo, continue escrevendo.
Contos da Mais-valia & outras taxas
Publicado por waltersorrentino em 01/07/2010
Paulo Tedesco é de Caxias do Sul, para onde vou hoje, encontrar o pessoal do partido lá e tentar entender como pode ser tão vitoriosa a caminhada do PCdoB naquela cidade progressista do Rio Grande do Sul.
Paulo é consultor gráfico editorial, dos bons. Publicou em 2004 Quem tem medo do Tio Sam? Já participou de diversas antologias de contos.
Seu livro recente, que me foi presenteado, é Contos da mais-valia & outras taxas. É deliciosamente maligno – ou seja, crítico. Contos curtos, concisos, bem escritos, e absolutamente originais. Os capítulos são intitulados, jocosamente, “comissionados”, “pró-laboreados” e “assalariados”. Enfim, trata de como as gentes ganham a vida e a vão tocando em meio a esse oceano de alienação.
Tudo muito bem-humorado e penetrante, curioso e ácido. As personagens são do mundo do trabalho. Gente simples, retratados no cotidiano, anônimos invisíveis que agora são tornados personagens de seu próprio drama. Gostei particularmente do conto “Impedimento”, mas todos eles são bons.
Fosse vinho, seria dos bons: taninos fortes e acidez arredondados pela maturidade… Escreve bem, o gajo, creiam. E leiam-no, prestigiem-no. Parabéns, Paulo, continue escrevendo.
Quarta-feira, Junho 30, 2010
DEGUSTAÇÃO DO CONTOS DA MAIS-VALIA
Batalhei e consegui, tem degustação do Contos da Mais-valia & outras taxas em http://www.dublinense.com.br/livros/contos-da-mais-valia-outras-taxas/
O Contos da Mais-valia & outras taxas além do sul.
Extra! Extra! Extra! O Contos da Mais-valia & outras taxas saiu do sul! Está na Livraria da Travessa no RJ e na Livraria da Vila em SP. Eu, que sempre advoguei que nossas vendas aqui no sul não devessem ser encaradas como nossas definitivas, e que jamais poderíamos nos dar por vencidos sem antes tentar cruzar o Mampituba, eis a oportunidade de se fazer ao mundo esse livro que tem recebido bons comentários. Finalmente!!!
Sexta-feira, Junho 25, 2010
ESCREVER TODO DIA
Eis um desafio, escrever todo o dia. O engraçado é que escrevo sim todo o dia, mas textos curtos, 140 toques em twitter, pouco mais no facebook e emails tão pobres que me demoro revisando uma frase como se revisasse um romance. Meu desafio é enfrentar os próprios textos de forma mais elaborada, longos quando necessário, mas bons o suficiente para conquistar seu espaço no tão agitado mundo das mensagens escritas. Faço questão, porém, de registrar esse obstáculo, querer viver do que se escreve antes de tudo é viver do que se pensa e de como se traduz o pensamento.
Segunda-feira, Junho 14, 2010
DILAN CAMARGO E OS NOVOS LEITORES
Nesse último fim de semana, dias 12 e 13 de junho, apareceu, na TV Assembleia, canal 16 da Net, minha entrevista sobre o Contos da Mais-valia (espero em breve disponibilizar o link aqui). A reflexão, depois de falar com alguém inteligente como o Dilan Camargo, meu entrevistador, é que o texto literário merece mais espaços nobres como aquele, e que, também, mais e mais pessoas deveriam ter acesso ao que a literatura nos traz. Para minha felicidade, e graças a internet, fui visto por uma nova pequena grande leitora, e por amigos que moram em lugares distantes, por isso e muito mais, espero que a entrevista tenha proporcionado aos telespectadores numa noite fria de outono, o mesmo sentimento que a mim, o entrevistado, aportou, o de deleite por se conversar sobre literatura e seu provocador processo criativo.
Quarta-feira, Maio 19, 2010
CAXIAS DO SUL E OUTRAS PERSPECTIVAS
Depois do lançamento em Caxias do Sul, o balanço do primeiro mês do Contos da Mais-valia é positivo com méritos. O espaço na mídia e o carinho do leitor, que compareceu nos lançamentos e vem dialogando sobre o que gostou no livro, refletiram a justeza do momento de lançar a obra. Reconheço que há muito pela frente, afinal, livro é para sempre, mas a arrancada foi boa e trabalho e torço para que muito mais venha a acontecer. Um detalhe: venho já recebendo convite de empresas para abordar o conteúdo do livro, quem leu e quiser se candidatar, ou indicar um local, estou inteiramente à disposição. Conversar com o leitor é prioridade na minha agenda.
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